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O Auto da Compadecida

Terminei de ler ontem o livro “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna.

Esta obra teve uma adaptação sensacional para o cinema em 2000 - na minha opinião um dos melhores filmes brasileiros. O livro é em forma de peça teatral, já que o palco foi seu destino primeiro. O único texto desse tipo que eu já havia lido era “Vestido de Noiva”, do Machado de Assis, e devo dizer que o estilo não me apetece muito. Sou fã de prosa, como “O Menino no Espelho” e “O Grande Mentecapto”, ambos do Fernando Sabino. Apesar disso, me deliciei com a incrivelmente inventiva história de Suassuna. A simplicidade das falas, misturada com o abundante uso de vocabulário sertanejo, humor sagaz e personagens a quem o leitor logo se afeiçoa - mesmo um cangaceiro matador - torna a obra inesquecível para quem a lê.

Em minha opinião, algumas das grandes funções da arte são inspirar as pessoas, denunciar situações injustas e transmitir culturas. Como um grande mestre, Suassuna botou no bolso todas essas virtudes, e fez parecer que é fácil.

O Auto da Compadecida foi escrito em 1955, e encenado pela primeira vez uma ano depois. É a história de João Grilo e Chicó, que vivem se metendo em enrascadas, mas dessa vez vão ter que se ver com personagens tão perigosos como matadores, fazendeiros maldosos e até com o próprio coisa ruim!

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